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Study Space
Micro-SaaS para concurseiros com TDAH: arquitetura de produto orientada a autonomia e metodologias ativas de estudo que eliminam a fricção antes de o usuário abrir o primeiro livro.

O problema
Preparar-se para concursos públicos no Brasil é uma jornada de resistência. Editais imensos, ansiedade constante e a necessidade de revisar matérias sem parar. O problema é que a maioria das plataformas foca na entrega de conteúdo, e ignora completamente a gestão da jornada.
Elas impõem metodologias rígidas que punem o usuário quando ele falha e criam carga cognitiva antes mesmo de o estudo começar. Para quem tem TDAH, essa rigidez é fatal: a fricção para configurar uma sessão e a falta de recompensas imediatas destroem o engajamento antes de o primeiro conteúdo aparecer.
A pergunta que guiou o projeto: e se o sistema carregasse o peso do planejamento no lugar do usuário?
Benchmark de mercado
Antes de abrir o Figma, mapeei onde o mercado estava errando.
| Plataforma | Metodologia flexível | Foco em neurodivergentes | Autonomia nos parâmetros | Estados de feedback |
|---|---|---|---|---|
| Anki | Parcial (SRS fixo) | Não | Não | Limitado |
| Notion + templates | Total, mas sem guia | Não | Sim | Nenhum |
| Qconcursos | Não | Não | Não | Básico |
| Study Space | Sim | Sim | Sim | Completo |
O gap era evidente: ninguém estava projetando para como o cérebro de um concurseiro funciona de verdade.
Estratégia de produto: aplicando o Taste Loop
Como PM e líder de UX, minha primeira decisão não foi abrir o Figma: foi aplicar os 5 princípios do Taste Loop, o framework de disciplina de decisão que eu já vinha usando e que mais tarde empacotei como kit portátil open-source. Esses princípios guiaram todas as decisões de design e engenharia:
- Vai além do requisito literal. "Funcionar" é o chão, não o teto.
- Projeta para a jornada, não para a feature. A tarefa subjacente do usuário é o que importa.
- Padrões são inegociáveis. Sem improvisos de "só dessa vez".
- Feedback e acessibilidade entram na v1. Loading states, empty states, error toasts e navegação por teclado não são polimento: são a feature principal de confiança.
- Testa o caminho do usuário, não o happy path do código. Três perfis fixos em toda revisão: expert impaciente, novato hesitante e usuário recorrente.
O Study Space foi um dos projetos onde testei e refinei esses princípios na prática: o que mais tarde virou o Taste Loop como produto independente.
UX e a psicologia do estudo
A interface foi projetada como um motor de dopamina. Pessoas com TDAH precisam de recompensas visíveis e ciclos curtos de feedback para manter o foco.
Autonomia como regra de ouro
O erro mais comum em produtos educacionais é tratar o usuário como número em uma fórmula. No Study Space, o estudante tem controle total: tudo armazenado no banco de dados (user_study_settings) para garantir que nenhum número mágico fique embutido no código:
- Quantas horas por dia quer estudar
- Meta de questões por sessão
- Porcentagem mínima de acerto para considerar um tópico concluído
- Se a rotina inclui blocos obrigatórios de revisão espaçada (Anki)
O sistema se adapta ao estudante. Não o contrário.
Micro-interações e recompensas
Design visual priorizando redução de sobrecarga cognitiva. Animações sutis via Motion One garantem respostas imediatas em botões, cards e transições de estado. Ao concluir uma meta, o sistema celebra. Nunca pune por perder uma ofensiva diária: em vez disso, facilita o recomeço.
Acessibilidade de ponta a ponta
Alvos de toque generosos (44×44px), contraste baseado nos design tokens do sistema e navegação por teclado impecável. Componentes via shadcn/ui garantindo semântica HTML adequada nativamente.
Design System
O sistema gerencia uma hierarquia complexa: Edital → Cargo → Disciplina → Tópico. A navegação foi construída para mostrar apenas o que é acionável no momento: o Bloco Diário.
Tokens de design
| Token | Valor | Uso |
|---|---|---|
primary | #0D9A9A | Ações, links, destaques |
secondary | #DA5B1B | Confirmações, badges de conquista |
background | #FAFAFA | Superfície base |
| Bricolage Grotesque | ( | Títulos) solidez e modernidade |
| Inter | ( | Corpo) legibilidade em blocos longos de teoria |
Zero valores hexadecimais soltos no código. Qualquer mudança de cor é feita em um lugar e propaga por toda a interface.
Gestão de produto: desenvolvendo com IA
O Study Space foi construído usando vibe coding: agentes de IA como parceiros de engenharia (Next.js, Supabase, Tailwind). Minha função como PM foi garantir que a tecnologia servisse à experiência, não o contrário.
Três focos práticos:
Definition of Done rigorosa. Uma feature só estava pronta se sobrevivesse aos 3 caminhos de usuário, com todos os empty states implementados e acessibilidade validada.
Sinergia full-stack. Nenhuma mudança de UI sem reflexo no backend. Cada fluxo novo exigia revisão das políticas RLS no Supabase e tipagem estática rigorosa no TypeScript.
Auditoria de UX sistêmica. Conduzida periodicamente, documentando jornadas de ponta a ponta para identificar gargalos: persistência de configuração de idioma, autosaves no dashboard, loading states em queries lentas.
Resultados
| Resultado | Como foi alcançado |
|---|---|
| Fricção zero para iniciar o estudo | Algoritmo monta o Bloco Diário automaticamente |
| Iterações ultrarrápidas no frontend | Design tokens eliminando inconsistências |
| Percepção de performance elevada | Skeleton loaders substituindo spinners genéricos |
| Zero abandono por punição | Sistema nunca pune streak: facilita recomeço |
Aprendizados
O usuário não se importa com a arquitetura, mas sofre as consequências dela. Investir pesado em estados de loading e error desde o dia um provou ser o maior diferencial percebido de qualidade do produto.
Autonomia gera engajamento. Deixar o estudante desligar o bloco de Anki quando está sobrecarregado evitou o efeito cascata de abandono comum em outros apps.
Direcionamento de produto salva o código. Ter os 5 princípios documentados foi fundamental para guiar o desenvolvimento auxiliado por IA. Sem eles, a tecnologia teria servido à conveniência do momento, não à experiência do usuário.