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Study Space

Micro-SaaS para concurseiros com TDAH: arquitetura de produto orientada a autonomia e metodologias ativas de estudo que eliminam a fricção antes de o usuário abrir o primeiro livro.

role Product Manager · UX/UI Leadtype Web App · Micro-SaaSyear 2026
Capa do case Study Space
0%autonomia nos parâmetros de estudo
0fricção para iniciar uma sessão
// ecossistema · antes → depois
Grupos do WhatsAppFlashcards no AnkiCadernosPlataforma APlataforma B
Study Space — tudo em um só lugar
5 ferramentas → 1 plataforma · Usei esse método e fui aprovado no CBMDF 2025
Utilizei esse método pessoalmente e fui aprovado no concurso do CBMDF (2025) — prova de que a metodologia funciona sob pressão real de prova.

O problema

Preparar-se para concursos públicos no Brasil é uma jornada de resistência. Editais imensos, ansiedade constante e a necessidade de revisar matérias sem parar. O problema é que a maioria das plataformas foca na entrega de conteúdo, e ignora completamente a gestão da jornada.

Elas impõem metodologias rígidas que punem o usuário quando ele falha e criam carga cognitiva antes mesmo de o estudo começar. Para quem tem TDAH, essa rigidez é fatal: a fricção para configurar uma sessão e a falta de recompensas imediatas destroem o engajamento antes de o primeiro conteúdo aparecer.

A pergunta que guiou o projeto: e se o sistema carregasse o peso do planejamento no lugar do usuário?

Benchmark de mercado

Antes de abrir o Figma, mapeei onde o mercado estava errando.

PlataformaMetodologia flexívelFoco em neurodivergentesAutonomia nos parâmetrosEstados de feedback
AnkiParcial (SRS fixo)NãoNãoLimitado
Notion + templatesTotal, mas sem guiaNãoSimNenhum
QconcursosNãoNãoNãoBásico
Study SpaceSimSimSimCompleto

O gap era evidente: ninguém estava projetando para como o cérebro de um concurseiro funciona de verdade.

Estratégia de produto: aplicando o Taste Loop

Como PM e líder de UX, minha primeira decisão não foi abrir o Figma: foi aplicar os 5 princípios do Taste Loop, o framework de disciplina de decisão que eu já vinha usando e que mais tarde empacotei como kit portátil open-source. Esses princípios guiaram todas as decisões de design e engenharia:

  1. Vai além do requisito literal. "Funcionar" é o chão, não o teto.
  2. Projeta para a jornada, não para a feature. A tarefa subjacente do usuário é o que importa.
  3. Padrões são inegociáveis. Sem improvisos de "só dessa vez".
  4. Feedback e acessibilidade entram na v1. Loading states, empty states, error toasts e navegação por teclado não são polimento: são a feature principal de confiança.
  5. Testa o caminho do usuário, não o happy path do código. Três perfis fixos em toda revisão: expert impaciente, novato hesitante e usuário recorrente.

O Study Space foi um dos projetos onde testei e refinei esses princípios na prática: o que mais tarde virou o Taste Loop como produto independente.

UX e a psicologia do estudo

A interface foi projetada como um motor de dopamina. Pessoas com TDAH precisam de recompensas visíveis e ciclos curtos de feedback para manter o foco.

Autonomia como regra de ouro

O erro mais comum em produtos educacionais é tratar o usuário como número em uma fórmula. No Study Space, o estudante tem controle total: tudo armazenado no banco de dados (user_study_settings) para garantir que nenhum número mágico fique embutido no código:

  • Quantas horas por dia quer estudar
  • Meta de questões por sessão
  • Porcentagem mínima de acerto para considerar um tópico concluído
  • Se a rotina inclui blocos obrigatórios de revisão espaçada (Anki)

O sistema se adapta ao estudante. Não o contrário.

Micro-interações e recompensas

Design visual priorizando redução de sobrecarga cognitiva. Animações sutis via Motion One garantem respostas imediatas em botões, cards e transições de estado. Ao concluir uma meta, o sistema celebra. Nunca pune por perder uma ofensiva diária: em vez disso, facilita o recomeço.

Acessibilidade de ponta a ponta

Alvos de toque generosos (44×44px), contraste baseado nos design tokens do sistema e navegação por teclado impecável. Componentes via shadcn/ui garantindo semântica HTML adequada nativamente.

Design System

O sistema gerencia uma hierarquia complexa: Edital → Cargo → Disciplina → Tópico. A navegação foi construída para mostrar apenas o que é acionável no momento: o Bloco Diário.

Tokens de design

TokenValorUso
primary#0D9A9AAções, links, destaques
secondary#DA5B1BConfirmações, badges de conquista
background#FAFAFASuperfície base
Bricolage Grotesque(Títulos) solidez e modernidade
Inter(Corpo) legibilidade em blocos longos de teoria

Zero valores hexadecimais soltos no código. Qualquer mudança de cor é feita em um lugar e propaga por toda a interface.

Gestão de produto: desenvolvendo com IA

O Study Space foi construído usando vibe coding: agentes de IA como parceiros de engenharia (Next.js, Supabase, Tailwind). Minha função como PM foi garantir que a tecnologia servisse à experiência, não o contrário.

Três focos práticos:

Definition of Done rigorosa. Uma feature só estava pronta se sobrevivesse aos 3 caminhos de usuário, com todos os empty states implementados e acessibilidade validada.

Sinergia full-stack. Nenhuma mudança de UI sem reflexo no backend. Cada fluxo novo exigia revisão das políticas RLS no Supabase e tipagem estática rigorosa no TypeScript.

Auditoria de UX sistêmica. Conduzida periodicamente, documentando jornadas de ponta a ponta para identificar gargalos: persistência de configuração de idioma, autosaves no dashboard, loading states em queries lentas.

Resultados

ResultadoComo foi alcançado
Fricção zero para iniciar o estudoAlgoritmo monta o Bloco Diário automaticamente
Iterações ultrarrápidas no frontendDesign tokens eliminando inconsistências
Percepção de performance elevadaSkeleton loaders substituindo spinners genéricos
Zero abandono por puniçãoSistema nunca pune streak: facilita recomeço

Aprendizados

O usuário não se importa com a arquitetura, mas sofre as consequências dela. Investir pesado em estados de loading e error desde o dia um provou ser o maior diferencial percebido de qualidade do produto.

Autonomia gera engajamento. Deixar o estudante desligar o bloco de Anki quando está sobrecarregado evitou o efeito cascata de abandono comum em outros apps.

Direcionamento de produto salva o código. Ter os 5 princípios documentados foi fundamental para guiar o desenvolvimento auxiliado por IA. Sem eles, a tecnologia teria servido à conveniência do momento, não à experiência do usuário.