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IA gera código inconsistente por default.
Dialog de confirmação criado por IA. Funciona. Na próxima sessão, outro dialog, jeito diferente. O custo não é escrever três vezes: é escolher toda vez.
Você pede pra uma IA criar um dialog de confirmação. Ela cria. Funciona. Na próxima sessão, você pede outro dialog. Ela cria de novo: de um jeito diferente. Wrapper próprio, semântica diferente, convenção de nomenclatura nova.
Nenhum dos dois tá errado. Os dois funcionam. Mas agora você tem dois jeitos de fazer a mesma coisa. Na terceira sessão, vai ter um terceiro. A IA não tem memória de convenções passadas: ela tem o prompt atual e o que parece plausível naquele momento.
IA não é inconsistente por malícia. É inconsistente por default. Ela não sabe que "aqui no projeto a gente faz assim": a menos que você diga.
O custo real
O custo acumulado não é o tempo de escrever três dialogs em vez de um. É o tempo de escolher toda vez. É o medo de mexer em código existente porque você não sabe se ele tá seguindo a convenção certa. É a revisão que vira prosa porque "aqui no nosso time a gente prefere assim".
Quando você orquestra IA, isso multiplica. Cada sessão é independente. Cada prompt gera código que pode contradizer o anterior. Sem standards explícitos, a codebase apodrece em semanas, não em anos.
O que eu codifiquei
Isso é o princípio 3 do Taste Loop: "padrões são inegociáveis". E virou uma regra operacional no dev757: toda vez que eu vejo duas formas de fazer a mesma coisa no codebase, eu paro e decido. Uma fica, a outra migra. Se as duas fazem sentido em contextos diferentes, eu explicito os contextos, não deixo implícito no código.
O 757 Station é esse mesmo princípio aplicado como produto: tokens → primitivos → componentes → padrões → docs. Cinco camadas, uma resposta por camada. Se você precisar de algo que não tá lá, a regra é adicionar a camada, não improvisar na última milha.
E o AGENTS.md no dev757 codifica isso como anti-pattern pra qualquer agente: "Inline style ou hex hardcoded 'só dessa vez'. Viola princípio 3." Quando o agente lê isso antes de começar, ele sabe que não existe exceção visual que quebre o sistema.
Como isso muda a orquestração
Quando eu dou um prompt pra IA num projeto que tem standards, o prompt já carrega as convenções. Em vez de "crie um botão", o prompt é "crie um botão usando o primitivo Button do design system, com as variantes definidas na camada de primitivos". A IA não inventa: ela compõe.
Isso não é limitar a IA. É dar contexto suficiente pra ela não desperdiçar ciclos reinventando o que já existe. Standards são o contrário de restrição: são a base que permite a IA ir mais rápido com segurança.
Como isso se conecta ao Taste Loop
O princípio 3 é o que mantém o codebase coerente enquanto os outros princípios operam. Sem ele, o princípio 1 (ir além) gera polish inconsistente. Sem ele, o princípio 2 (jornada) gera soluções que não conversam entre si.
No Taste Loop, standards não são uma etapa: são uma condição. Você não roda o Prescription Filter sem saber que o output vai respeitar o sistema. Se não respeita, o filtro rejeita antes das 7 perguntas.